A Binance restabeleceu as retiradas de recursos em sua plataforma neste domingo (1º), liberando operações para negociações com bitcoin, ether e moedas estáveis (stablecoins). A autorização ocorre logo após a maior corretora de ativos digitais do mundo repor cerca de 95% dos US$ 6,3 bilhões (aproximadamente R$ 34,2 bilhões) retirados em um ataque cibernético que pode configurar o maior assalto financeiro da história.
Reposição de fundos e volume intenso de saques
Para assegurar o saldo de seus usuários, a empresa utilizou patrimônio próprio para recomprar US$ 6 bilhões (R$ 32,5 bilhões) em criptoativos. Os 5% restantes da quantia desviada dizem respeito a tokens de menor liquidez no mercado, cujo processo de recomposição integral deve demandar mais tempo.
Com a reabertura gradual do sistema iniciada pela madrugada, a plataforma contabilizou uma saída líquida de US$ 3,64 bilhões (R$ 19,7 bilhões) até o início da tarde. A fase inicial da retomada contemplou 15 ativos digitais, incluindo BNB, XRP, dogecoin e as stablecoins pareadas ao dólar USDT e USDC, enquanto as demais moedas serão normalizadas em etapas seguintes.
FBI atribui invasão a grupo hacker norte-coreano
As investigações conduzidas pelo FBI apontam a autoria da investida ao grupo hacker TraderTraitor, operado sob a influência do regime da Coreia do Norte. Conforme a agência norte-americana, os criminosos converteram a maior fatia do montante obtido em ether, com o provável objetivo de pulverizar os recursos por meio de finanças descentralizadas (DeFi) e intermediadores de conversão instantânea.
Monitoramentos das firmas de análise de dados em blockchain TRM Labs e Chainalysis revelaram que o ataque ocorreu em um intervalo de apenas 20 minutos, com métodos similares aos de outras ações atribuídas a Pyongyang. A Coreia do Norte, por sua vez, rejeita historicamente qualquer acusação de que utiliza agentes cibernéticos para roubos de divisas.
Ao se manifestar publicamente a respeito das suspeitas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve cautela: “Não sabemos se é a Coreia do Norte, mas, se for, conversaremos com a Coreia do Norte sobre isso”.
Reserva financeira cobriu perdas provocadas pelo ataque
A Binance anunciou que assumirá integralmente o prejuízo gerado pelo incidente e provisionou US$ 6,34 bilhões (R$ 34,4 bilhões) para estancar qualquer dano patrimonial aos clientes. O montante foi viabilizado por meio do caixa corporativo, das garantias voltadas ao segmento de contratos futuros e do fundo Secure Asset Fund for Users (SAFU).
Segundo a co-CEO Yi He, metade dos US$ 1 bilhão existentes no SAFU foi alocada de imediato na operação, com o compromisso formal de recomposição futura desse montante de segurança. Já o outro co-CEO da exchange, Richard Teng, explicou que a ação hostil foi um “ataque complexo”, executado a partir de um computador infectado por um software programado para obliterar os rastros forenses.
Ações coordenadas com outras entidades do mercado permitiram à companhia localizar e bloquear preventivamente US$ 3 bilhões (R$ 16,3 bilhões) do total subtraído. O fundador da corretora, Changpeng Zhao, agradeceu aos investigadores dos Estados Unidos pela atuação no monitoramento dos tokens: “Um post não consegue expressar totalmente nossa gratidão. Muitos entusiastas de criptomoedas podem não perceber, mas grande parte do mérito por o bitcoin não ter caído ainda mais é deles”.
Com 335 milhões de investidores registrados globalmente e cerca de US$ 162,8 bilhões sob custódia, a organização enfrenta o desafio de restabelecer a confiança do mercado diante de um ecossistema que registrou perdas de US$ 2,9 bilhões em ações criminosas ao longo do último ano.







