–:–:–
Conecte-se conosco

Midterms nos EUA: o que são e o impacto para Trump e big techs

Disputa por vagas na Câmara e no Senado pode travar pautas do governo republicano e aumentar a regulação sobre gigantes da tecnologia.

2 visualizações
Midterms: como funcionam e o que esperar das eleições estadunidenses

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos têm peso decisivo para a governabilidade do presidente Donald Trump e carregam reflexos imediatos sobre a economia internacional. Mesmo sem envolver diretamente a chefia do Poder Executivo, a votação define o equilíbrio de forças em Washington e pode impor barreiras significativas às grandes corporações, sobretudo no setor de tecnologia, defesa e mercado financeiro.

Estrutura das eleições: o que os eleitores decidem nas urnas

Realizadas a cada dois anos, na metade da gestão presidencial, as chamadas midterms renovam parte expressiva do Congresso norte-americano. Como os mandatos parlamentares possuem durações diferentes, a composição do Legislativo é revista de maneira alternada pelos cidadãos.

No atual processo eleitoral, estão em jogo:

• 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, equivalendo à renovação integral do plenário, cujos assentos são divididos proporcionalmente à população de cada estado;

• 35 vagas no Senado, de um total de 100 postos existentes, nos quais cada unidade federativa conta com representação fixa de dois parlamentares;

• 36 governos estaduais.

Após garantirem maioria em ambas as Casas nas eleições de 2024, os republicanos viram Trump avançar em diversas pautas, ainda que com margens de manobra estreitas. O Partido Democrata agora tenta retomar ao menos uma das Casas legislativas. Caso os democratas conquistem maioria, conseguirão frear projetos do Executivo, abrir comissões de investigação e convocar membros do governo para esclarecimentos formais.

Como funciona a contagem dos votos no modelo americano

Ao contrário do sistema eleitoral brasileiro, centralizado sob a gestão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o modelo dos Estados Unidos é descentralizado. Cada estado define suas próprias regras para votação, regras de recontagem e horários de encerramento das urnas — como às 19h na Flórida ou às 21h em Nova York, variando por condado em locais como o Tennessee.

O processo costuma ser mais lento devido ao uso generalizado de cédulas de papel e ao volume de votos enviados antecipadamente pelo correio. Por isso, a confirmação oficial da maioria parlamentar pode levar dias ou até semanas, a exemplo do ocorrido em 2022. Veículos de imprensa tradicionais, especialmente a Associated Press (AP) — com quase dois séculos de atuação no setor —, desempenham papel-chave ao cruzar dados oficiais com projeções estatísticas antes do encerramento oficial da apuração.

Efeitos imediatos para gigantes da tecnologia e infraestrutura de IA

A composição do Legislativo federal atinge em cheio as estratégias das big techs, que mantêm contratos de grande escala com o poder público. Companhias como Apple, Nvidia, Cisco e Salesforce já foram demandadas por congressistas em debates tributários e contratuais. Com a oposição no comando de comitês parlamentares, a frequência de convocações, pedidos de relatórios internos e audiências públicas tende a crescer, gerando instabilidade na cotação das ações.

A corrida pela inteligência artificial (IA) é um ponto nevrálgico. A Casa Branca estimula a rápida construção de grandes data centers para assegurar liderança tecnológica global frente a competidores externos. Empresas como Alphabet, Meta, Microsoft e Amazon projetam investimentos superiores a US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,4 trilhões) nesse segmento.

Contudo, a proliferação desses centros de dados sofre críticas locais devido à pressão sobre reservatórios de água e redes elétricas. No Congresso, ganha força o debate sobre repassar custos energéticos adicionais às próprias empresas, uma discussão diretamente dependente do equilíbrio partidário nas comissões.

Desdobramentos na defesa, saúde pública, criptoativos e bancos

As verbas orçamentárias controladas pelos parlamentares também determinam o ritmo de outros setores estratégicos:

• Indústria de Defesa: Programas voltados à contenção geopolítica da China e mísseis costumam reunir consenso bipartidário. No entanto, aquisições bilionárias de equipamentos de longo prazo, a exemplo de frotas de caças produzidas pela Lockheed Martin, exigem autorização expressa do Congresso para manter o fluxo de desembolsos;

• Saúde e Seguros: Debates sobre cortes no orçamento do Medicaid, programa de saúde para famílias de baixa renda, afetam diretamente hospitais privados e operadoras de planos de saúde, que contam com bancadas de oposição para barrar reduções tarifárias;

• Mercado Cripto e Setor Financeiro: Plataformas como a Coinbase demandam regras federais mais consolidadas para transações com criptomoedas, enquanto grandes instituições bancárias buscam estabilidade nas normas de capital supervisionadas pelo Federal Reserve (FED). A composição do Senado tem papel determinante nessa frente por ser responsável por aprovar indicados para liderar órgãos reguladores federais.

Embora as primeiras tendências de apuração comecem a ser divulgadas na noite de terça-feira, o equilíbrio final das cadeiras determinará a capacidade legislativa da administração Trump e o ambiente de negócios para os principais conglomerados globais até o próximo ciclo eleitoral.

Mais em Ciências

Ver tudo →