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Grandes ligas europeias exigem reforma profunda na Fifa

Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha cobram divisão de poderes e maior voz para clubes e jogadores nas decisões de Gianni Infantino.

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Ligas europeias se unem para exigir uma reforma na governança da Fifa

As quatro competições mais ricas e influentes do futebol mundial declararam oposição aberta à atual gestão da entidade máxima da modalidade. Em uma iniciativa conjunta, os dirigentes responsáveis pela Premier League, Bundesliga, LaLiga e Serie A divulgaram um posicionamento rígido no qual pedem o fim do modelo centralizador e exigem transformações estruturais na Fifa.

Manifesto denuncia acúmulo de poder na presidência

O documento, encabeçado por Richard Masters (CEO da Premier League), Marc Lenz (CEO da Bundesliga), Javier Tebas (presidente de LaLiga) e Luigi De Siervo (CEO da Lega Calcio Serie A), questiona diretamente a postura do presidente Gianni Infantino. Os líderes alertam para o perigo de concentrar atribuições regulatórias, comerciais e políticas sob o mesmo comando sem mecanismos de fiscalização externa.

No comunicado oficial, os dirigentes ressaltaram os riscos desse formato para a integridade do esporte:

“O problema de governança da Fifa vai muito além do papel de um único indivíduo. A questão mais ampla é se o presidente da Fifa deveria exercer simultaneamente tamanho poder regulatório, comercial e político sem mecanismos eficazes de controle e equilíbrio, incluindo o consenso das partes interessadas. Há mais de uma década, após processos criminais envolvendo altos dirigentes do futebol, o próprio processo de reforma da Fifa buscou abordar essas questões – contudo, mais uma vez, o futebol sofreu um dos maiores abusos de poder da história da Fifa”

Conflito de interesses e o calendário do futebol

Entre as principais queixas das ligas nacionais está a expansão contínua das competições organizadas pela Fifa e as alterações unilaterais no Calendário Internacional de Jogos. As entidades nacionais argumentam que essa estratégia prejudica a saúde dos atletas e compromete a sustentabilidade econômica dos torneios locais, que mantêm a base financeira e esportiva do ecossistema global.

O manifesto também recordou a tentativa de criar um consórcio com investidores privados para administrar torneios da entidade — iniciativa barrada após resistência do meio futebolístico —, enfatizando que os riscos de iniciativas com esse perfil seguem presentes no ambiente institucional.

Os três pilares para a reestruturação

Para recuperar o equilíbrio no esporte, a aliança europeia estabeleceu três medidas indispensáveis que devem nortear o futuro da governança:

Voto ativo para agentes do futebol

Criação de um comitê definitivo que reúna ligas, federações, clubes e atletas (tanto do cenário masculino quanto do feminino), garantindo poder decisório em tópicos críticos como elaboração de calendários e criação de novos campeonatos.

Decisões técnicas embasadas

Obrigatoriedade de relatórios públicos de impacto e análises de viabilidade independentes antes de qualquer alteração substancial nas regras ou formatos de disputa do futebol global.

Independência entre regulação e negócios

Separação total entre a autoridade regulatória da entidade e sua divisão comercial. Pela proposta, órgãos jurídicos, comitês de ética, supervisão financeira e comissões eleitorais devem atuar com orçamento próprio e sem subordinação à presidência.

Por fim, os representantes dos campeonatos europeus convocaram candidatos a futuras eleições presidenciais da Fifa a firmarem compromisso formal com a realização de uma Convenção de Governança independente já no início de seus eventuais mandatos.

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