A atenção de mulheres grávidas em relação aos perigos da bronquiolite e do vírus sincicial respiratório (VSR) registrou alta expressiva em todo o país. Atualmente, 70% das gestantes declaram conhecer ou já ter ouvido falar sobre o agente infeccioso, índice que era de 58% em 2024. Ao mesmo tempo, 60% das futuras mães apontam a bronquiolite como a infecção que mais gera preocupação durante a gravidez.
Desafios na informação e adesão às vacinas
Embora o interesse e o sinal de alerta tenham aumentado, a desinformação ainda persiste entre as brasileiras. Um levantamento com 530 mulheres de 18 a 45 anos revelou que 79% possuem alguma dúvida ou percepção equivocada sobre o assunto, enquanto apenas 13% acertaram a totalidade das questões avaliadas. Além disso, 46% das gestantes compreendem que a condição pode evoluir para quadros graves com risco de hospitalização e morte, afetando sobretudo bebês e a população idosa.
A imunização materna contra o VSR foi autorizada em 2024 e incorporada à rede pública em dezembro de 2025. Contudo, 46% das grávidas da Região Sudeste e 38% das regiões Norte e Centro-Oeste desconhecem a oferta gratuita da vacina pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A taxa média nacional de cobertura entre gestantes gira em torno de 84%, mas estados como São Paulo e Rio de Janeiro, além de diversas unidades federativas do Norte, registram índices inferiores a 80%. Diante dessa realidade, a médica Adriana Ribeiro destacou que “O pré-natal é o momento-chave para fechar essa lacuna”.
Panorama regional da conscientização
A evolução do conhecimento sobre o tema apresenta comportamentos distintos pelo território nacional. Sobre as diferenças regionais, a médica Adriana Ribeiro afirmou: “Os dados regionais mostram que a conscientização avançou tanto no Sudeste quanto no Norte e Centro-Oeste, mas em pontos diferentes”.
No Sudeste, o percentual de gestantes familiarizadas com o VSR subiu para 74% — um acréscimo de 21 pontos percentuais frente a 2024 —, enquanto a apreensão com a bronquiolite saltou de 40% para 55%. Já no Norte e Centro-Oeste, a percepção da patologia subiu de 12% para 47%, e metade das grávidas passou a reconhecer a sua gravidade potencial, o dobro do patamar verificado em 2024.
Ao detalhar as características de cada localidade, a médica ressaltou: “No Norte e Centro-Oeste, praticamente todas as gestantes já ouviram falar da bronquiolite. O que ainda está em construção é entender a relação entre o vírus e a doença, e a gravidade. No Sudeste, cresceu de 33% para 43% o número de gestantes que reconhecem o risco de internação e morte.
No Norte e Centro-Oeste, 40% já associam a bronquiolite ao VSR, 11 pontos a mais que em 2024. Ou seja, ouvir falar da doença, conhecer o vírus e entender a relação entre os dois são etapas diferentes da conscientização”, pondera Ribeiro.
O papel da recomendação médica no pré-natal
O entendimento sobre a existência de um calendário vacinal específico para o período gestacional também se expandiu, alcançando 72% das entrevistadas em 2026, contra 58% em 2024. Apesar desse progresso, 25% ainda supõem que devem cumprir apenas as doses relativas à sua faixa etária, e 31% ignoram que a imunização recebida pela mãe gera anticorpos que protegem o bebê.
A atuação dos profissionais de saúde tem sido decisiva para preencher essas lacunas: 88% das pacientes relataram ter recebido orientação para se vacinar durante o acompanhamento médico, frente a 77% em 2024. A resposta prática a essa orientação é alta, já que 96% das gestantes orientadas afirmam cumprir ou planejar cumprir a indicação, enquanto 71% relatam seguir integralmente todas as recomendações do pré-natal.







