O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja neste domingo (20) rumo aos Estados Unidos com a missão de realizar a conferência de abertura dos debates da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Seguindo uma tradição diplomática estabelecida em 1955, o chefe do Executivo brasileiro será a primeira autoridade a falar no plenário, em pronunciamento programado para terça-feira (22).
Agenda intensa e possibilidade de encontro com Donald Trump
O desembarque da comitiva presidencial em Nova York ocorre ainda no domingo. A segunda-feira (21) será integralmente voltada para a preparação do discurso, além de um encontro agendado com o prefeito da metrópole norte-americana, Zohron Mamdani, e uma reunião rápida com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Embora o Palácio do Planalto tenha recebido mais de 30 pedidos de encontros bilaterais com líderes estrangeiros, restrições operacionais e a rígida logística de segurança do evento devem limitar o atendimento dessas demandas. Outro ponto que desperta grande atenção é a probabilidade de um contato direto entre Lula e o presidente norte-americano, Donald Trump, nos corredores do prédio das Nações Unidas. Trump, que discursa imediatamente após o mandatário do Brasil, também participará das sessões plenárias.
Tom polido, defesa da democracia e recados indiretos
O pronunciamento de Lula abordará temas centrais da diplomacia brasileira, incluindo a governança climática, inteligência artificial, mediação de paz, fortalecimento do multilateralismo e enfrentamento ao crime organizado transnacional — sem apontar diretamente para episódios recentes ou facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
No campo político, o presidente deve reservar trechos para manifestar preocupação quanto à soberania e a tentativas externas de interferência nos pleitos eleitorais do Brasil. A estratégia diplomática traçada prevê o uso de uma linguagem “polida”, evitando menções nominais diretas aos Estados Unidos, a Donald Trump ou a nações vizinhas como Argentina e Israel. De acordo com interlocutores próximos, essa postura comedida é indispensável, ainda que o chefe de Estado “não pode se omitir” e tenha a responsabilidade de “defender as instituições e o processo eleitoral”.
Reforma estrutural da governança mundial e sucessão na ONU
Um dos pontos mais enfáticos da participação de Lula será a cobrança contínua por reformas profundas no Conselho de Segurança da ONU. O presidente tem criticado a perda de efetividade do colegiado em mediar a paz global, ressaltando que potências com poder de veto — a exemplo de Estados Unidos e Rússia — figuram atualmente envolvidas em conflitos bélicos. Diante desse quadro, a gestão brasileira pleiteia o ingresso de novos integrantes permanentes, citando o próprio Brasil, Alemanha, Japão e África do Sul.
A assembleia deste ano também dá início ao debate sobre a sucessão de António Guterres. Respeitando a rotatividade geográfica e de gênero, o governo brasileiro defende a eleição de uma líder latino-americana e já formalizou respaldo à ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet.
Comitiva ministerial e continuidade dos trabalhos
A 81ª sessão plenária traz como lema central “Restaurando a confiança e administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos” e é conduzida pelo chanceler de Bangladesh, Khalilur Rahman.
Logo após discursar na terça-feira, Lula retorna a Brasília. A delegação ministerial, no entanto, permanecerá nos Estados Unidos acompanhando painéis sobre direito internacional e debates do Conselho de Segurança voltados à crise na Palestina. Compõem a representação oficial:
- Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores;
- João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima;
- Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome;
- Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos;
- Eloy Terena, ministra dos Povos Indígenas;
- Rachel Barros, ministra da Igualdade Racial;
- Audo Faleiro, assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República.







