–:–:–
Conecte-se conosco

Às vésperas da decisão, o Brasil precisa de responsabilidade, não de espetáculo

15 visualizações

Às vésperas da decisão, o Brasil precisa de responsabilidade, não de espetáculo

Editorial | Portal do Vettas | 22 de outubro de 2026

A três dias do segundo turno das eleições presidenciais, o Brasil chega a um dos momentos mais decisivos de sua vida democrática. A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro permanece acirrada, enquanto as campanhas intensificam suas estratégias e o debate público é marcado por acusações, controvérsias e disputas de narrativa.

A pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira aponta Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Lula com 49%. O levantamento ouviu 4 mil eleitores entre 19 e 21 de outubro, com margem de erro de 1,6 ponto percentual. Os números indicam uma disputa apertada, mas não autorizam antecipar o resultado das urnas.

Mais importante do que interpretar cada oscilação das pesquisas é compreender o que está em jogo. A eleição não se resume à vitória de um candidato ou à derrota de seu adversário. Ela representa uma escolha sobre os rumos do país, suas prioridades econômicas, suas políticas sociais e a maneira como o poder será exercido nos próximos anos.

Transparência não pode ser apenas uma promessa de campanha

Entre os assuntos que dominam o noticiário está o debate sobre a abertura de sigilos e a divulgação de informações relacionadas aos protagonistas da disputa. O tema exige cautela, critérios claros e respeito às garantias legais.

A transparência é indispensável à vida pública. Quem disputa o comando do país deve estar preparado para responder a questionamentos legítimos sobre suas decisões, suas relações e sua conduta. Entretanto, a cobrança por esclarecimentos precisa ser acompanhada de procedimentos legais, evidências verificáveis e tratamento igualitário.

Não basta transformar suspeitas em slogans, nem usar acusações como substituto da apresentação de provas. A sociedade tem o direito de cobrar respostas, mas também tem o dever de distinguir fatos comprovados, alegações e estratégias eleitorais.

A mesma exigência deve valer para todos, independentemente de partido, ideologia ou posição nas pesquisas.

A democracia não termina na urna

Outro desafio desta eleição está no ambiente digital. Redes sociais e aplicativos de mensagens ampliaram o acesso à informação, mas também aceleraram a circulação de conteúdos enganosos, recortes fora de contexto e ataques pessoais.

A liberdade de expressão é um princípio fundamental. Não deve ser confundida, porém, com uma autorização para manipular informações ou atribuir crimes sem provas. Da mesma forma, a atuação das autoridades eleitorais precisa ser fundamentada em regras claras, decisões justificadas e respeito aos direitos dos cidadãos.

A confiança pública depende tanto da responsabilidade de quem produz e compartilha conteúdo quanto da transparência das instituições encarregadas de fiscalizar o processo eleitoral.

Em uma campanha tão disputada, a tentação de desacreditar adversários e instituições pode ser grande. É justamente nesse momento que a responsabilidade democrática precisa falar mais alto.

O eleitor deve olhar além das promessas

Os brasileiros têm diante de si dois projetos políticos distintos, que precisam ser avaliados por suas propostas, seus compromissos e sua capacidade de execução.

Economia, inflação, emprego, segurança pública, saúde, educação e equilíbrio das contas públicas não podem ficar em segundo plano diante do confronto permanente entre lideranças.

O eleitor deve perguntar como cada candidato pretende financiar suas promessas, quais resultados espera alcançar, quais obstáculos enfrentará e como pretende prestar contas de suas decisões.

Também é necessário avaliar a capacidade de diálogo com o Congresso Nacional e com os diferentes setores da sociedade. Nenhum presidente governa sozinho. A estabilidade política depende de negociação, respeito às instituições e disposição para construir soluções que ultrapassem os interesses eleitorais imediatos.

Vencer uma eleição concede legitimidade para governar dentro da Constituição; não representa um cheque em branco. Perder uma eleição tampouco elimina o direito de fiscalizar, criticar e exercer a oposição de maneira responsável.

O Brasil precisa reconstruir a confiança

A polarização não desaparecerá no dia seguinte à votação. As diferenças entre os brasileiros continuarão existindo, e fazem parte de uma sociedade plural. O desafio é impedir que essas diferenças se transformem em hostilidade permanente e inviabilizem a busca por soluções concretas.

Cabe aos candidatos reconhecer a responsabilidade de suas palavras. Cabe aos partidos respeitar o resultado legítimo das urnas. Cabe às instituições agir com imparcialidade, dentro de suas competências. E cabe à imprensa verificar informações, contextualizar declarações e cobrar explicações sem abandonar o compromisso com os fatos.

O jornalismo não deve escolher a realidade que mais convém a uma campanha. Deve investigar, confrontar versões, corrigir erros e oferecer ao cidadão elementos para formar sua própria opinião.

O voto é uma escolha; a democracia é um compromisso permanente

No próximo domingo, os brasileiros irão às urnas para decidir quem ocupará a Presidência da República. O resultado definirá o próximo governo, mas não encerrará a responsabilidade coletiva de acompanhar o exercício do poder.

Independentemente de quem vença, o país continuará precisando de instituições sólidas, políticas públicas eficazes, responsabilidade fiscal, proteção de direitos e compromisso com a verdade.

A campanha termina. A cobrança da sociedade, não.

O Brasil não precisa apenas de um vencedor. Precisa de um governo capaz de responder às necessidades da população, de uma oposição que fiscalize com seriedade e de cidadãos dispostos a defender a democracia para além das disputas partidárias.

Esta é a hora de trocar o ruído pela responsabilidade, a desinformação pela verdade e a hostilidade pelo debate de ideias. O futuro do país merece mais do que um espetáculo eleitoral: exige compromisso com o interesse público.

Editorial da redação do Portal do Vettas.

Mais em Política

Ver tudo →