Eleições 2026: disputa apertada coloca pesquisas e caso Banco Master no centro do debate
Por Germano Vettas
A corrida presidencial de 2026 entra em uma fase de forte equilíbrio. Os levantamentos mais recentes divulgados em setembro mostram uma disputa concentrada principalmente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), com diferenças pequenas o suficiente para permanecerem dentro das margens de erro.
No Datafolha divulgado em 17 de setembro, Lula registrou 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, o presidente aparece com 46%, enquanto Flávio registra 44%.
Na pesquisa BTG/Nexus divulgada em 21 de setembro, Lula aparece com 40% no primeiro turno e Flávio com 37%. No segundo turno, a diferença diminui para apenas um ponto: 46% contra 45%.
Os números não permitem tratar a eleição como definida. Pelo contrário: eles mostram um eleitorado dividido e uma disputa na qual pequenas mudanças de comportamento podem alterar os números de um levantamento para outro.
Também chama atenção o espaço ocupado pelos candidatos que aparecem atrás dos dois primeiros colocados. No levantamento BTG/Nexus, Augusto Cury aparece com 6%, Ronaldo Caiado com 5%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema e Samara Martins com 1% cada.
Isso significa que uma parcela relevante do eleitorado ainda está distribuída entre candidaturas alternativas, o que torna o primeiro turno particularmente importante para entender a formação dos blocos políticos que poderão chegar à segunda etapa.
O fator Banco Master
Além da disputa eleitoral tradicional, um assunto passou a ocupar espaço crescente no debate político: o caso Banco Master.
O Banco Central decretou, em novembro de 2025, a liquidação extrajudicial de instituições do conglomerado Master. Segundo o BC, a decisão foi motivada por uma grave crise de liquidez, pelo comprometimento significativo da situação econômico-financeira e por graves violações às normas que regulam as instituições do sistema financeiro.
O caso ganhou nova dimensão política após a divulgação de documentos relacionados às investigações. Entre os pontos investigados estão as operações realizadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Segundo relatório da Polícia Federal divulgado no âmbito das investigações, o BRB teria transferido cerca de R$ 17 bilhões ao Master na aquisição de carteiras de crédito. A PF afirma que aproximadamente R$ 12,2 bilhões correspondiam a títulos sem valor. Essas são conclusões da investigação e ainda fazem parte de um processo que envolve diferentes envolvidos e versões.
O episódio também chegou diretamente ao ambiente eleitoral.
Pesquisa Datafolha divulgada em 18 de setembro mostrou que 47% dos entrevistados consideram que a crise envolvendo o STF e o Banco Master terá algum grau de influência sobre o voto para presidente. No levantamento, 38% apontaram Lula como o candidato mais prejudicado pelo episódio, enquanto 31% citaram Flávio Bolsonaro.
É importante, entretanto, separar o impacto político das conclusões judiciais. O fato de um político, autoridade ou instituição aparecer em documentos de uma investigação não significa, por si só, que tenha cometido um crime. Responsabilidades individuais dependem da apuração das autoridades competentes e das decisões judiciais.
Uma eleição influenciada por dois movimentos
Os dados disponíveis mostram dois movimentos simultâneos.
De um lado, Lula mantém uma posição competitiva e continua liderando numericamente os levantamentos recentes. De outro, Flávio Bolsonaro reduziu a distância e aparece tecnicamente empatado com o presidente em diferentes cenários de segundo turno.
Ao mesmo tempo, o caso Banco Master adicionou um novo tema à disputa: a relação entre instituições financeiras, poder público, autoridades e mecanismos de fiscalização.
A questão central para o eleitor, portanto, não está apenas nos percentuais das pesquisas. Está também em compreender o que cada candidato propõe para temas como responsabilidade fiscal, combate à corrupção, independência das instituições, regulação do sistema financeiro e transparência na administração pública.
As pesquisas retratam o momento em que foram realizadas. Não são resultados eleitorais nem previsões do que necessariamente ocorrerá nas urnas. O próprio Datafolha ressalta que pesquisas representam a opinião dos entrevistados no período da coleta.
À medida que a eleição se aproxima, a disputa deverá continuar sendo marcada pela polarização entre os dois principais campos políticos, mas também pela capacidade dos demais candidatos de manterem seus eleitores e influenciarem a formação dos cenários de segundo turno.
No Portal do Vettas, acompanhar os números é apenas uma parte da análise. A outra é entender os fatos que estão por trás deles.







